quarta-feira, 21 de Agosto de 2013

Colheita Seleccionada branco 2012

Na senda deixada por um Colheita Seleccionada Tinto da vindima 2010, com um verão tão ameno e de maturação fenólica lenta e íntegra, logo na vindima concentrei minha atenção para seleccionar uvas da Casta Viosinho, pela sua notável aptidão a vinificações em cuba e em barrica.
Para tal, do Douro Superior, fui buscar uvas a uma parcela recém-plantada no centro da aldeia da Horta do Douro. Vindimadas já com um teor elevado de açucares, contudo, com acertados teores de ácidos fixos, fermentei o mosto em inox até dois terços da fermentação, trasfegando-o para barrica de segundo ano, onde estagiou até um mês antes da elaboração do lote.
Daí advinha, aromaticamente, algo de "over-ripped", de alcoólico, que a battônage do estágio e a integração de notas tostadas da barrica o tornavam mais expressivo e elegante. Contudo, reforçando a máxima deste micro-projecto, haveria que ir buscar algo que contrabalançasse os excessos que o Douro Superior, por vezes, trás.
Então, já com vindima a decorrer, procurei Viosinho no Cima-Corgo. E foi perto da Quinta da Covada, onde vinifico. A Quinta da Chavelha, de um Tabuacense estranhamente apaixonado por Viticultura, que encontrei o perfeito contrabalanço de lote. Uvas em perfeito estado de maturação, seguiram para a antiga prensa que utilizo, de onde resultou mosto de tremendo equilíbrio açucares/ácidos que optei por vinificar e estagiar em cuba de aço inox, onde, em fase mais adiante, para equilibrar a explosão frutada originada por uma fermentação a baixas temperaturas, lhe acrescentei três aduelas de carvalho francês e battônage periódica.
Ao mercado apenas chegará após esta vindima criando um "pairing" perfeito com o Colheita Seleccionada Tinto 2011 que me preparo para engarrafar.

sábado, 21 de Julho de 2012

Colheita Seleccionada 2010

Engarrafadas 1.466 garrafas de 75cl e 100 magnum's, após o seu lote ter sido aprovado com 97pontos e com o correspondente Nível 3 pela câmara de provadores do IVDP, este Desnível ostentará da designação Colheita Seleccionada pois a vindima da Vinha Velha de que cuido no Cima Corgo, foi vinificada em separado da Touriga Nacional que comprei no Douro Superior, conseguindo uma marcação de vindima mais adequada e melhores índices de maturação fenólica em ambas as colheitas.
Durante estes meses, o Vale dos Olmos, que havia feito a fermentação maloláctica em cuba, estagiou em barricas de carvalho francês de segundo ano. Esta porção, cerca de metade do lote, encontra-se todo o carácter da Touriga Nacional do Douro Superior. Sensações frutadas e florais, boca macia e texturada complexada com sensações tostadas e especiadas advindas do estagio em barricas.
A Vinha Velha do Vale do Barco seguiu, logo após a vindima para barricas usadas de carvalho francês. Nelas fez a fermentação maloláctica e estagiou até um mês antes do engarrafamento. Esta vinha, dada a sua exposição e altitude, tem o seu carácter vegetal bem patente após a fermentação. Este estágio em barrica serve, neste caso, para que sua evolução conte com um pouco de oxigénio de modo a que, esse carácter vegetal, traga frescura ao vinho no final do estágio.

domingo, 6 de Março de 2011

Vale dos Olmos

É lá num profundo vale do Douro Superior, apenas a 2km, a descer em "rampa", de Vila Nova de Foz Côa que, já lá vão uns 8anos que um industrial se encantou por aquele belo e pacato sítio.
Seguiram-se 3 hectares de novas vinhas, com as tradicionais Tourigas Nacional e Franca e com um pouco de Tinta Roriz, aos quais se juntam outros 3, mais recentemente.
Ao chegar lá, também eu fiquei encantado por aquele profundo vale. A 250metros de altitude, com solos extremamente pobres e xistosos, com baixa produtividade, mesmo tendo as vinhas idade para produzir mais, regressei ávido de tocar naqueles mostos.
Próximo da vindima de 2010 regressei lá para zonar algo no sentido de "apalpar" aquelas vinhas. A Touriga Nacional, situada na entrada da Quinta, com exposição Norte, estava com a parede foliar mais conservada e, portanto, com capacidade de a maturação fenólica prosseguir. A Touriga Franca e a Tinta Roriz, expostas a Sul, contam com a "comum" heterogeneidade que se assiste em muitas vinhas do Douro sistematizadas em patamares, videiras fracas, com vigor insuficiente para a produção nas zonas secas e salientes dos montes e, por outro lado, vigor muito excessivo e grande produção nas linhas de água. Isto conduz, muitas das vezes, a que, num patamar se encontrem uvas com álcool provável muito variável e que, geralmente se vindimam ao mesmo tempo...
Esta Touriga Nacional lá seguiu para um lagar na Quinta da Covada no dia 4 de Setembro de 2010, onde fermentou a temperatura controlada e em separado das uvas provenientes das vinhas velhas da Quinta do Vale do Barco, que apenas foram vindimadas no dia 5 de Outubro de 2010.

terça-feira, 11 de Maio de 2010

Mercado

Chegado ao mercado, o Desnível já se encontra à venda em alguns locais.
Esperamos conseguir chegar a parte daquele que é o nosso "nicho de mercado". Tudo faremos para que daí em diante o possa encontrar em garrafeiras e restauração onde o cliente procure algo diferente mas com identidade e carácter definidos. s
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Contactos:

domingo, 18 de Abril de 2010

Rotulagem

Depois de ultrapassarmos todas as borucracias associadas à rotulagem e de até termos sido "premiados" com a aprovação do lote com direito à designação "Reserva" (que não utilizaremos por opção própria), já iniciamos a rotulagem do Desnível e começaremos a penetrar lentamente no mercado.
Em tempos de complicações a nível económico e de um notório excesso de marcas e referências vinícas, pensamos que para incentivar o público conhecedor e apreciador a provar o Desnível, necessitamos de apresentar uma boa relação qualidade/preço.
Trata-se de um vinho de carácter diferenciado, guloso, com fruta vermelha prazanteira e belas notas de bosque a equilibrar e refrescar a prova. Termina com taninos sólidos e acidez presente o que lhe confere excelente aptidão gastronómica e capacidade de crescer com o estágio em garrafa. O PVP por nós aconselhado ronda os 9 €.

segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

Rótulo

Após os oito meses que apontavamos para o período mínimo de estágio em garrafa, o desnível já se encontra a caminho da harmonia organoléptica e é hora de começar a comercializá-lo.
Após tentarmos "encaixar" um desenho das vinhas no rótulo e de ouvirmos aqueles que serão parte integrante do nosso mercado alvo, chegamos à conclusão que o rótulo que melhor ilustra o projecto é algo o mais simples e minimalista possível.
Transformámos então o desenho numa ilustração muito simples das dua vinhas. A vinha do cima-corgo, que se ergue em socalcos numa "cota" mais alta e a vinha do douro superior sistematizada "ao alto" numa "cota" mais baixa.

domingo, 7 de Junho de 2009

Engarrafamento

Finalmente chegou o engarrafamento! Após mais de 20meses na adega, o "desnível" já existe.
É um vinho focado no fruto vermelho amplo e expressivo, ganhando complexidade com a leve sensação de tosta, especiaria e bosque, que com a evolução será o suporte de um carácter fresco que caracteriza as duas vinhas. De perfil algo tânico, pede entre 8 meses a um ano de paciência para ser apreciado de modo mais harmonioso.
São 2.000 garrafas que ficarão durante 2 dias ao alto, para que a rolha expanda e se adapte ao gargalo, sendo depois deitadas num sítio fresco, moderadamente húmido e sem luz solar. Após o término da vindima de '09 será iniciada a sua comercialização.

domingo, 26 de Abril de 2009

lote

A arte de lotear é, sem dúvida, uma das mais complexas fases na criação de um vinho. Define estilos, segmentos e cria vinhos melhores do que qualquer um dos seus progenitores.
Contudo, em vinhos de vinha a tarefa é mais fácil.
Após a fermentação maloláctica, este vinho, nascido de uma mistura em partes semelhantes de uvas do Poralqueire e da Qta do Vale do Barco, seguiu para um estágio de 15 meses em diferentes barricas e uma porção em cuba de inox.
Resta apenas chegar a um lote que traga a complexidade dos diferentes embarricamentos com a frescura e equilibrio do inox. E foi o que fiz! Após algumas misturas descabidas, mas também bastante lúdicas, lá cheguei ao lote que penso que exprime a frescura, acidez e complexidade de uma vinha com a expressividade de outra.
Os vinhos que se mostraram mais taninosos foram um François Frères e um Cadus com tosta M+ usados que comprámos num daqueles negócios de ocasião e que se revelaram em ainda muito bom estado (e sem "brett", que era o grande medo).
Um Demptos com 2 anos e um Taransaud novo foram as outras 2 barricas que usámos no lote. O Taransaud apresentou-se muito fresco e delicado na prova, reforçando a ideia de que, de facto, são barricas que não servem para "dar taninos" mas sim para "ajudar os taninos" vindos da uva a evoluir. Por fim, o Demptos, mostrou alguma baunilha na prova, com algum fruto doce. Talvez tenha sido a barrica que menos gostei mas em lote, melhorava-o.
Para além destas 4 barricas de 225litros juntamos-lhes 600litros do mesmo vinho mas com estágio em cuba de inox. Esta fracção de inox mostrou-se muito importante em lote pois, se as barricas se mostraram bastante bem, havia, na mistura das 4, bastante de explosivo e intenso, contudo, para mim, também de cansativo e enjoativo. Foi a fracção de inox que veio trazer harmonia e equilibrio ao lote, tornando-o um vinho para apreciar e não para impressionar.
É claro que um estágio prolongado de um vinho em cuba, e em ausência de oxigénio, faz com que haja precipitação de compostos que poderiam ser tidos como positivos. O ideal seria ter micro-oxigenação nessa cuba... Mas também deixaria de ser um vinho de garagem e passaria a vinho tecnológico... Talvez de futuro a solução passe por estagiar esta fracção em barricas com 4 ou 5 anos só para que haja a tal entrada de oxigénio.
Resultaram então 1500litros que serão engarrafados dentro em breve.

sábado, 17 de Janeiro de 2009

Vinha do Poralqueire

O Douro Superior é conhecido por produzir uvas de elevado teor alcoólico e baixo teor em ácidos orgânicos. É frequente encontrar terroirs onde, para se atingir uma maturação fenólica completa do fruto, nos deparamos com sobrematuração e/ou desidratação do mesmo. Esta espécie de matéria-prima origina vinhos compotados e adocicados, que podem ser mesmo cansativos e/ou enjoativos.
Porém, a vinha de que vos falo, situa-se num dos vales que maior interesse tem suscitado nesta sub-região duriense, o Vale da Teja.
Situada entre as aldeias da Horta do Douro e de Sebadelhe, concelho de Vila Nova de Foz Côa, esta vinha tem uma área de cinco hectares e é composta por quatro parcelas. Uma vinha com cerca de 30anos (de onde saíram metade das uvas para a primeira edição do Desnível), com predominância de Touriga Franca, tendo, as restantes três parcelas, sido plantadas em 2004 com as variedades Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz.
Com um solo pobre e muito xistoso, uma altitude a rondar os 350metros e exposição Sudoeste, esta vinha em particular, mas também a maior parte do Vale da Teja, produz vinhos com fruto maduro, mas não sobremaduro, com acidez média a elevada e mostra o seu esplendor nas castas Touriga Nacional, onde a componente floral da casta se mostra com grande fineza; e a Touriga Franca, que mostra toda o potência do seu fruto vermelho, mas que em alguns sítios alcança uma fracção vegetal interessante pois, com a evolução, confere frescura aos vinhos. Quando a Touriga Nacional estiver a produzir, irá haver novidades…

Quinta do Vale do Barco

Contando com parcelas que vão dos 80anos a outras com apenas 4anos, esta propriedade de seis hectares, conjuga um solo muito pobre e pedregoso, uma considerável altitude e uma exposição solar especial.
Geralmente, as vinhas expostas a norte, gozam de poucas horas de sol, de temperaturas mais amenas e de Invernos mais frios, o que confere aos seus frutos uma maturação fenólica mais lenta e, por vezes, mais completa.
A exposição da encosta, onde está esta vinha, é norte mas, dada a sua altitude (entre os 450 e os 510m) coloca-se debaixo do eixo que o sol percorre durante a Primavera e o Verão. O que se constata são Invernos frios e sombrios, mas Verões com muitas horas de sol, porém este não chega a ser abrasador, dada a altitude em causa.
O solo caracteriza-se pela sua elevada pedregosidade, sendo o xisto claramente predominante. Este facto aliado a uma elevada densidade de plantação, nas vinhas mais velhas, faz com que as raízes se desenvolvam em profundidade, facto que induz baixa produção. Para além disso, este tipo se solo facilita a drenagem da água e gera um microclima especifico, pois acumula calor durante o dia, libertando-o gradualmente durante a noite.
Desde 2005 que vinifico as diferentes parcelas desta vinha, separando-as mediante a idade.
É interessante constatar que a vinha mais nova, com encepamentos de Touriga Nacional e Sousão, origina vinhos expressivos de aroma, com boa qualidade de fruto e acidez acentuada, sendo óptimos em lote.
A vinha de “meia-idade”, com cerca de 25anos, é claramente penalizada pela presença de castas como Tinta da Barca, Alvarelhão, Bastardo, etc. e origina vinhos com uma fracção vegetal muito acentuada, que os desequilibra por completo pois não confere frescura, mas sim um toque herbáceo.
A vinha mais velha, com cerca de 80anos, de onde saiu a minha metade das uvas para a primeira edição do Desnível, tem uma complexidade interessante, pois toda a paleta de aromas e sabores acenta num fundo mineral aliado a nuances de bosque, com fruto fresco e acidez viva. As castas aqui presentes vão desde o Rufete, Tinta Amarela, Tinta Miúda, Cornifesto, entre muitas outras que desconheço o nome…
A propriedade tem ainda olival e árvores de fruto, sendo um belo sítio para “espairecer” e “descomprimir” mesmo a dois passos da vila de Tabuaço.

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Filosofia do projecto

viva,
somos dois jovens durienses com um sonho em comum, produzir "vinhos de qualidade, com apelo aos terroirs em que nasceram".
Começamos em 2007, um bom ano no douro, por fazer uma pequena brincadeira, que foi juntar uvas de uma vinha com cerca de 30anos, plantada pelo avô do luís, situada no Vale da Teja - Vila Nova de Foz Côa (douro superior) com grande predominância da casta touriga franca, com as de uma vinha com mais de 80anos, plantada pelo meu avô, situada na qta do vale do barco, em Tabuaço (cima-corgo).

Vinificamo-las na qta da covada, em Tabuaço, foram pisadas a pé de homem (os nossos e de uns amigos) e estagiado, uma parte, em barricas de carvalho francês e outra em inox. E, deste modo singelo, nasceu um vinho que agora nos preparamos para engarrafar.

Chegada a fase de escolher o nome e, após muitas tentativas falhadas ora porque já existia uma marca com esse nome, ora porque não conseguiamos imaginar como seria o rótulo, etc etc... eis que o João Pedro Carvalho do blog "Copo de 3" deu uma ajuda mandando um palpite que nos agradou imenso: "desnível"! Tem tudo a ver com este caso: 2 vinhas, uma a 350m de altitude, em encosta no douro superior e outra a 500m, em socalcos ancestrais no cima-corgo.